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Sei-te Sei-te de cor. O teu perfil, o teu cheiro, o contorno que
vai do teu pescoço ao teu ombro. Sei a textura das tuas mãos. O travo da tua pele. Conheço os detalhes dos teus olhos
e as várias cores que encerram. Sei-te por inteiro e por partes.
Sei-te em palavras, em imagens, tons e sons. Cartografei-te na minha alma e devoro
os teus limites. Sei-te de cor.
Ouves-me aqui de onde estou? Aqui de onde estou (lago profundo) ouço as vozes, vozes
ocas.
Aqui de onde estou (sentimento...sem palavras) grito de tal forma alto que rebento
os vidros, os espelhos de mim.
Aqui de onde estou ouço-te ao longe, sinto-te o corpo macio. És o tudo. O mundo
acaba e termina aqui. Onde estás tu e o meu eu anseia estar.
Aqui de onde estou abraço corpos frios e gemo, gemo, gemo que o futuro é mesmo ali ao
lado. Não entendem? Não... não...
Mas nada importa quando o tudo da vida que é minha vive em ti. Não importam as vozes, nem
os gritos, nem os espelhos partidos espetados nos pulsos dos cadáveres que se arrastam na minha mente.
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